A Avaliação e as áreas

Como sempre, são as pequenas coisas que geram maiores desentendimentos.

Penso que é do conhecimento geral de todos os técnicos, em funções nas diversas áreas, que existem diversas e diferentes maneiras de definir e atribuir áreas aos espaços das construções, algumas sem qualquer correspondência entre si.

Em Arquitetura o mais importante são as áreas úteis, habitáveis e a volumetria. Nas finanças são as privativas e as dependentes. Na câmara municipal são os pavimentos e a área bruta de construção.

Depois o registo na conservatória concorda com declaração feita pelo contribuinte que não faz a mínima ideia acerca da interpretação das Finanças quanto as áreas a registar mas é o responsável pelas áreas que diz.

Com tão diferentes critérios de apreciação das áreas não admira as incoerências que ainda existem nos registos.

Não se questionam porque aparecem casos de prédios com 10 andares e área bruta privativa de 300m2? Porque até 2003 as finanças usavam área coberta e passaram a usar área privativa que resultaria em 3000m2 pelo menos mas o contribuinte pensa que as finanças atualizam e as finanças dizem que o responsável pela atualização é o contribuinte. Como a AT não altera a área e o contribuinte normalmente desconhece que o tem que fazer a situação mantém-se até alguém, por exemplo, o Avaliador alertar para a falta de atualização das áreas.
Bizarro não é? E os terraços de cobertura? Não tem campo declarativo pois não sao áreas dependentes, nem os telheiros. Mas existem!

Enfim … vale a pena pensar nisto.

Com estima

Engº Bruno Fagundes

Avaliação para partilha/herança

Este tipo de avaliação destina-se a conciliar opiniões de pessoas em posições de interesse económico opostas, normalmente, e como tal depende da anotação de todas as áreas existentes e por isso obriga a usar técnicas de medição e comparação com as áreas registadas e com a área das plantas.

E determina-se o valor da propriedade com todas as áreas existentes, pois afinal resultam de esforço e dedicação de alguém.

Convém, referir dificuldades de registo que se detetem na altura das comparações entre as medidas e o registo, mas, não façam muitas ondas pois afinal pretende-se encontrar o entendimento entre familiares.

Com estima

Engº Bruno Fagundes

Avaliação para crédito

Este tipo de avaliação destina-se a cumprir atos de vida comum e como tal depende de registos e confirmações por isso obriga a usar as áreas matriciais que tem que condizer com as áreas registadas e com as áreas da licença de utilização que tem que condizer com a área das plantas senão o “casamento” isto é, a escritura não acontece. Então convém saber ler as áreas nas finanças usa-se área bruta privativa Abpriv e área bruta dependente Abdep. A Abprov e a área da principal uso da afetação por exemplo Habitação enquanto varandas e terraços e telheiros e anexos e caves são dependentes.

Nós armazéns a área privativa e a área de armazenagem ou oficina enquanto os escritórios são dependentes.

Nós serviços de hotelaria a privativa e a receção e quartos enquanto cozinhas restaurantes piscinas etc são dependentes.

Com estima
Engº Bruno Fagundes

A Economia que eu vejo

Pós Covid, durante a Guerra na Ucrânia ou sob a pressão de um nova vaga de Covid ou sob a mistura de todos os fatores influenciadores das incertezas do mercado, sempre tem tido nestes anos pós crise, sim, porque em 2015 começamos a saída de uma crise profunda em que um dos maiores desafios foi retomar a construção de uma forma que se conseguisse garantir fogos novos para suprir a falta de oferta que ainda hoje, finais de 2022, não se conseguiu equilibrar.

A recuperação da construção existente ou a pouca construção nova, impulsionada pela forte procura resultante da necessidade que ainda se verifica por parte das famílias em disputa direta com o empreendimento dos AL (Alojamento Local) que também é responsável pela falta de oferta para venda e aluguer indiciam que nem a inflação nem a subida dos juros serão capazes de estagnar o crescimento económico do país porque o turismo agora é quem manda, e, as suas receitas diretas e indiretas contrabalançam com a falta de áreas industriais e as receitas resultantes da ânsia de visitar, descansar, conhecer e experiênciar dos novos exploradores, preenchem essa suposta dificuldade nas atividades ligadas a compra e venda de propriedades pois o novo investidor vem de novos mundos que ainda continuamos a descobrir após 600 anos.

Ânimo e esclarecimento. Investir mantém-se interessante e aconselha-se!

Com estima
Engº Bruno Fagundes

Opinar 2022 – A desconfiança no crescimento económico

Em fim de ano fazem-se as contas e opina-se sobre as extrapolações previsíveis com base nas vivências pessoais, nas leituras das escritas iluminadas pelas mentes brilhantes da governação e da oposição e assustamo-nos com a inflação e a subida dos juros.

Decerto vem aí tempos mais exigentes e que vão obrigar a escolher os investimentos com mais cautela mas não crises económicas como as de 2007. Não. As empresas e as famílias estão melhor alicerçadas e tem uma visão prevenida que as vai defender e permitir ter maior resistência a eventuais contratempos que possam vir a ter que combater mas a recente experiência de 2007 ainda serve de aviso o suficiente para não permitir que a influência da guerra e da subida de preços sejam a catástrofe anunciada.

Com estima
Engº Bruno Fagundes